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Por que não se pronuncia nome de “Iahweh” na liturgia católica

O pedido da Santa Sé de não pronunciar o nome bíblico de Deus, «Iahweh», constitui um novo gesto de respeito pelo povo judeu e permite compreender melhor a fé cristã. Assim explica o Pe. Michel Remaud, diretor do Instituto Albert Decourtray (http://www.institut-etudes-juives.net), instituto cristão de estudos judaicos e de literatura hebraica de Jerusalém, em uma declaração feita à Zenit para dar a compreender a transcendência da decisão vaticana.

O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, celebrado em outubro, recordou a carta enviada no verão pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos às conferências episcopais do mundo, na qual pede que não se use o termo «Iahweh» nas liturgias, orações e cantos.

A carta explica que este termo deve traduzir-se de acordo ao equivalente hebraico «Adonai» ou do grego «Kyrios» - «Senhor» em português.

Em síntese, explica o especialista, «hoje, o nome divino já não se pronuncia nunca», e declara como o povo judeu chegou a esta prática baseando-se na tradição judaica, e em especial na Mishná, corpo exegético de leis judaicas compiladas, que recolhe e consolida a tradição oral judaica desenvolvida durante séculos, desde os tempos da Torá ou lei escrita, e até sua codificação, no final do século III.

«Até perto do ano 200 antes da nossa era, o nome divino era pronunciado todas as manhãs no momento na bênção sacerdotal: ‘Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a sua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz’ (Nm 6, 24-26)», começa recordando o especialista.

«A Mishná indica que o nome era pronunciado no templo ‘como está escrito’, enquanto se usava outra denominação (Kinuy) no resto do país. A partir de certa época, deixa-se de pronunciar o nome divino na liturgia diária do templo. O Talmude dá a entender que se toma esta decisão para evitar que alguns fizessem do nome um uso mágico», explica o padre.

Segundo as fontes do Pe. Remaud, «a partir da morte do grande sacerdote Simão o Justo, por volta de 195 antes de nossa era, deixa-se de pronunciar o nome divino na liturgia diária».

O erudito compara o testemunho do Talmude com o do livro de Ben Sira (o Eclesiástico).

Simão o Justo é evocado nele, no capítulo 50, ao término de uma longa passagem (capítulos 44-50), onde são recordados todos os «homens ilustres» desde Enoc, passando pelos patriarcas, Moisés, Davi, Elias, etc.

Esta enumeração acaba detendo-se no grande sacerdote Simão, descrito amplamente na glória da majestade do exercício de suas funções. Esta descrição culmina na pronunciação do nome divino, que aparece assim como a conclusão destes sete capítulos: « Então, descendo do altar, o sumo sacerdote elevava as mãos sobre todo o povo israelita, para render glória a Deus em alta voz, e para glorificá-lo em seu nome» (Eclesiástico 50, 22).

A partir de Simão o Justo e até a ruína do tempo, o nome só se escutava «como se escreve» na liturgia do Yom Kipur, no templo de Jerusalém, onde o grande sacerdote o pronunciava 10 vezes por dia, continua explicando Remaud.

«Os ‘cohanim’ (descendentes de Aarão) e o povo presente no átrio, quando ouviam o nome explícito através da boca do grande sacerdote, ajoelhavam-se, prostravam-se com o rosto por terra, dizendo: ‘Bendito seja o nome glorioso de seu reino para sempre’.»

A Mishná não diz que o grande sacerdote pronunciava o nome divino, mas que o nome «saía de sua boca», esclarece.

Parece também que, no final do período do segundo templo, o grande sacerdote já somente pronunciava o nome em voz baixa, como explica uma lembrança de infância do rabino Tarphon (séculos I-II), que conta que, inclusive aguçando o ouvido, não teria podido escutar o nome.

A fórmula do Êxodo, «Este é meu nome para sempre» (Êxodo 3, 15), mediante um jogo de palavras em hebraico, é interpretada pelo Talmude de Jerusalém: «Este é meu nome para estar escondido».

Segundo esta evolução, «hoje, o nome divino não se pronuncia nunca – explica o sacerdote católico. No ofício do Yom Kipur na sinagoga, que reemprega a liturgia do templo pela recitação do que acontecia quando o templo existia, as pessoas se prostravam na sinagoga quando se recorda – sem pronunciá-lo – que o grande sacerdote pronunciava o nome divino».

O sacerdote se atreve a tirar uma conclusão deste repasso histórico, advertindo que se trata de uma posição pessoal.
«Sabe-se que o Novo Testamento e os primeiros cristãos, denominando Jesus com o termo ‘Senhor’ (Kyrios), aplicaram-lhe deliberadamente o termo utilizado em grego para traduzir o nome divino», explica.

«Na tradição litúrgica do judaísmo, este nome divino não era pronunciado mais que na liturgia do perdão dos pecados, no dia do Kipur. Poderia ver-se uma alusão a esta tradição e ao poder purificador do nome neste versículo da primeira epístola de São João: ‘Vossos pecados foram perdoados por seu nome’ (1 João 2, 12)», conclui.

A conclusão do especialista coincide com a do Vaticano, pois a carta da Congregação para o Culto Divino explica que a tradição de traduzir «Iahweh» por Senhor «é importante para entender Cristo», já que o título de «Senhor» é intercambiável entre o Deus de Israel e o Messias da fé cristã».
Michel Remaud | Diretor do Instituto Albert Decourtray

Obras-primas da Livraria Vaticana à venda pela internet

Alguns dos livros de arte e espiritualidade mais prestigiosos, produzidos pela Libreria Editrice Vaticana (LEV), podem ser comprados agora pela internet, graças a um acordo assinado com HDH Communications no Vaticano.

A iniciativa prevê a distribuição internacional no site de HDH Communications daqueles livros de prestígio que geram um maior interesse entre o grande público.

A LEV é a editora oficial da Santa Sé, que se encarrega da publicação dos documentos do Papa e que, em geral, tem por objetivo a difusão da doutrina, da liturgia e da cultura católica.

HDH Communications, sociedade de distribuição internacional, há mais de 10 anos é a distribuidora exclusiva dos documentos e DVDs realizados pelo Centro Televisivo Vaticano (CTV).

«O acordo assinado nos dias passados com a LEV representa uma resposta importante à crescente demanda internacional de produções oficiais da Santa Sé – explicou o presidente de HDH Communications, Francesco Robatto. Também, o uso do site como vitrine permite chegar ao fiel de todos os lugares do mundo.»

«Outro elemento importante – sublinha – é a concentração de algumas das melhores produções da Santa Sé dentro de uma única loja on-line.»

«Na seleção do catálogo da LEV – acrescenta Robatto – se presta particular atenção aos escritos de Bento XVI, às edições de arte sobre os tesouros artísticos vaticanos, às obras históricas sobre as personalidades religiosas e às edições em vários idiomas, assim como às publicações de difusão da doutrina, da liturgia e da cultura católica.»

As edições da LEV estão disponíveis em italiano, inglês, espanhol, francês, alemão, e português. O site foi desenvolvido até agora em três idiomas (italiano, inglês e espanhol).

Entre os volumes disponíveis em espanhol, destaca-se a «Basílica de São Pedro – Uma visita através das imagens», «As basílicas maiores – meta obrigatória do peregrino a Roma», «Paulo de Tarso nos frescos de sua Basílica».

Durante o período de Natal e até em 6 de janeiro de 2009, se aplicará a todos os livros da LEV um desconto de 15%.
Mais informação em: www.hdhcommunications.com

Cultivo dos talentos espirituais

No evangelho deMateus 25, 14-30 encontramos a parábola dos talentos. Infelizmente, no passado, o significado desta parábola foi habitualmente confundido, ou pelo menos muito reduzido. Quando escutamos falar dos talentos, pensamos imediatamente nos dons naturais de inteligência, beleza, força, capacidades artísticas. A metáfora é usada para falar de atores, cantores, comediantes… O uso não é totalmente equivocado, mas sim secundário. Jesus não pretendia falar da obrigação de desenvolver os dons naturais de cada um, mas de fazer frutificar os dons espirituais recebidos dele. A desenvolver os dotes naturais já nos impulsiona a natureza, a ambição, a sede de lucro. Às vezes, ao contrário, é necessário frear esta tendência de fazer valer os próprios talentos, porque pode converter-se facilmente em afã por fazer carreira e por impor-se sobre os demais.

Os talentos dos quais Jesus fala são a Palavra de Deus, a fé, ou seja, o Reino que Ele anunciou. Neste sentido, a parábola dos talentos se conecta com a do semeador. À sorte diferente da semente que ele lançou – que em alguns casos produz sessenta por cento; em outras, ao contrário, fica entre os espinhos, ou são comidas pelos pássaros do céu –, corresponde aqui o diferente lucro realizado com os talentos.

Os talentos são, para nós, cristãos de hoje, a fé e os sacramentos que recebemos. A palavra nos obriga a fazer um exame de consciência: que uso estamos fazendo destes talentos? Nós nos parecemos com o servo que os faz frutificar ou com o que os enterra? Para muitos, o próprio batismo é verdadeiramente um talento enterrado. Eu o comparo a um presente que se recebeu de Natal e que foi esquecido num lugar, sem nunca tê-lo aberto ou jogado fora.

Os frutos dos talentos naturais acabam conosco ou, quando muito, passam aos herdeiros; os frutos dos talentos espirituais nos seguem à vida eterna e um dia nos valerão a aprovação do Juiz divino: «Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, e por isso eu te darei autoridade sobre o muito: toma parte no gozo de teu senhor».

Nosso dever humano e cristão não é só desenvolver nossos talentos naturais e espirituais, mas também de ajudar os demais a desenvolverem os seus. No mundo moderno existe uma profissão que se chama, em inglês, talent-scout, descobridor de talentos. São pessoas que sabem encontrar talentos ocultos – de pintor, cantor, ator, jogador de futebol – e os ajudam a cultivar seu talento e a encontrar um patrocinador. Não o fazem de graça, naturalmente, nem por hobby, mas para ter uma porcentagem em seus lucros, uma vez que se afirmaram.

O Evangelho nos convida a ser talent-scout, «descobridores de talentos», mas não por amor ao lucro, e sim para ajudar quem não tem a possibilidade de afirmar-se sozinho. A humanidade deve alguns de seus melhores gênios ou artistas ao altruísmo de uma pessoa amiga que acreditou neles e os animou, quando ninguém acreditava neles. Um caso exemplar que me vem à mente é o de Theo Van Gogh, que sustentou toda a vida, econômica e moralmente, do seu irmão Vincent, quando ninguém acreditava nele e não conseguia vender nenhum de seus quadros. Eles trocaram mais de seiscentas cartas, que são um documento de altíssima humanidade e espiritualidade. Sem ele não teríamos hoje esses quadros que todos amamos e admiramos.

A primeira leitura do domingo nos convida a deter-nos em um talento em particular, que é ao mesmo tempo natural e espiritual: o talento da feminilidade, o talento de ser mulher. Contém, de fato, o conhecido elogio da mulher que começa com as palavras: «Uma mulher completa, quem a encontrará?». Este elogio, tão belo, tem um defeito, que não depende obviamente da Bíblia, mas da época na qual foi escrito e da cultura que reflete. Se prestarmos atenção, descobriremos que este talento está inteiramente em função do homem. Sua conclusão é: bendito o homem que tem uma mulher assim. Ela lhe tece maravilhosas vestes, honra a sua casa, permite-lhe caminhar com a cabeça levantada entre seus amigos. Não creio que as mulheres de hoje gostem deste elogio.

Deixando de lado este limite, quero sublinhar a atualidade deste elogio da mulher. Desde todas os lugares surge a exigência de dar mais espaço à mulher, de valorizar o gênio feminino. Nós não cremos que «o eterno feminino nos salvará». A experiência cotidiana mostra que a mulher pode «elevar-nos ao alto, mas também pode precipitar-nos para baixo. Também ela precisa ser salva por Cristo. Mas é certo que, uma vez redimida por Ele e «libertada», no campo humano, das antigas sujeições, ela pode contribuir para salvar nossa sociedade de alguns males crônicos que a ameaçam: violência, vontade de poder, aridez espiritual, desprezo pela vida…

Depois de tantas épocas que adotaram o nome do homem – a era do homo erectus, homo faber, até o homo sapiens, de hoje –, deve-se augurar que se abra finalmente, para a humanidade inteira, uma era da mulher: uma era do coração, da ternura, da compaixão. Foi o culto a Nossa Senhora que inspirou, nos séculos passados, o respeito pela mulher e sua idealização em boa parte da literatura e da arte. Também a mulher de hoje pode ser olhada como modelo, amiga e aliada na hora de defender sua própria dignidade e o talento de ser mulher.

Frei Raniero Cantalamessa | Pregador do Papa

Arcebispo pede leigos anunciadores da Palavra de Deus

O arcebispo de Belo Horizonte considerou perante a assembléia do Sínodo dos Bispos a possibilidade da Santa Sé promover a missão dos leigos como anunciadores da Palavra de Deus.
Diante de “tantas pessoas que têm fome e sede de Deus e de sua Palavra, faltam apóstolos da Boa Nova de Cristo que possam ir ao encontro de suas necessidades”, afirmou Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em sua intervenção dessa segunda-feira.
Em comentário posterior à Rádio Vaticano, o arcebispo –que é responsável na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela doutrina da fé– disse que os órgãos competentes da Santa Sé podem estudar a forma de dar aos leigos essa nova atribuição.
Seriam “missões, ministérios –como o Ministério da Palavra, em função da catequese, dos grupos bíblicos e, sobretudo, da celebração da palavra–, com uma oficialidade, em nível normativo e ritual, de tal modo que nós possamos cobrir com uma grande rede de ministros todos os espaços onde as pessoas estão”, explicou à emissora pontifícia.
Dom Walmor afirmou que essa é uma possibilidade que se pode considerar especialmente no contexto do avanço das seitas na América Latina, fenômeno que apresenta “um enorme desafio”.
Em sua intervenção no Sínodo, o prelado citou o Documento de Aparecida (n. 225), onde se afirma que muitas pessoas migram da Igreja católica “não por razões doutrinais, mas vivenciais; não por motivos estritamente dogmáticos, mas pastorais; não por problemas teológicos, mas metodológicos de nossa Igreja”.
As contribuições da assembléia do Sínodo devem entatizar “a necessidade de haver uma estreita conexão entre o mistério celebrado e o mistério testemunhado, entre a Palavra proclamada e escutada e a Palavra escutada e frutificada”.
“Note-se que as pessoas que enchem as várias seitas nos diferentes contextos são quase sempre originárias do catolicismo”, disse.
O arcebispo recordou que, assim que essas pessoas passam para as seitas, muitas vezes elas mudam o modo de se comportar, assumindo “os dignos comportamentos morais, abandonando o que consideram indigno de sua nova vida de crentes”.
“Assim, a Palavra que ouvem torna-se performativa na sua vida, alimenta sua espiritualidade e sua escolha por um testemunho dos valores religiosos que agora interiorizam.”
“Porque a performatividade não os tocava enquanto eram católicos? Que descobriram nestas seitas que previamente não encontraram em nossa comunidade?”, questionou junto à assembléia de bispos.
Ao recordar que a Dei Verbum (n. 22) afirma que os fiéis devem ter um amplo acesso à Sagrada Escritura, o arcebispo desejou que isso seja um objetivo a se conquistar.
“Os leigos não podem ser simplesmente receptores da palavra, mas seus ouvintes fiéis e também preparados anunciadores”, afirmou o arcebispo.
Dom Walmor explicou que, com a  leitura orante da Bíblia, “vamos dar uma grande resposta missionária no nosso contexto e fazer uma mudança e uma presença significativa”.
“Não simplesmente para afrontar ou responder aos desafios daqueles que deixam a Igreja, mas para dar repostas ao relativismo e aos problemas morais e, sobretudo, conscientização social e política à luz do Evangelho que encontramos na Palavra de Deus.”

Dom Walmor de Azevedo | Arcebispo de Belo Horizonte

Teologia da Prosperidade, nova ameaça para AL

A teologia da prosperidade, que vê na pobreza a maldição, se converteu na nova ameaça para a Igreja católica na América Latina, denunciou o bispo da diocese de Escuintla, na Guatemala, diante da Assembléia do Sínodo dos Bispos.

Dom Víctor Hugo Palma Paúl, ao intervir no Sínodo, reconheceu que nestes momentos se dá “um panorama sombrio no campo bíblico”.

“Não só por conseqüências da anulação dos critérios” de interpretação da Bíblia surgidos da Reforma Protestante, mas “pelo surgimento de ‘uma nova gnose’ que introduz na interpretação bíblica elementos estranhos à essência do cristianismo”.

“Além do grave fundamentalismo nas seitas, tratam-se de serviços religiosos pseudo-cristãos que, como expressão do antropocentrismo cultural e até mesmo existencial da atualidade, utilizam a Bíblia para propor idéias de progresso material, de reinvenção de si mesmo, de conhecimento de caminhos de anulação da dor etc.”, denunciou.

“Especialmente em regiões pobres ou emergentes da América Latina, a necessidade de uma cosmovisão econômica e para alguns, necessariamente religiosa, que ajude a superar os conflitos de pobreza, corrupção administrativa, frustração econômica, insegurança cidadã etc., cria um campo fértil para o marketing da chamada ‘teologia da prosperidade’”.

Trata-se, ilustrou, de “um falso Deus aparentemente bíblico, mas não cristão que reduz o horizonte de sua ação na vida humana à pobreza como ‘maldição’ e a riqueza como ‘benção ou prosperidade’”.

Esta “teologia da prosperidade”, disse, surge da atomização de grupos nascidos do evangelismo neopentecostal, que manipulam a tradução, a pregação e a aplicação existencial da Palavra de Deus.

Diante desta visão do Evangelho, é urgente, disse, “uma formação e pastoral bíblica que unam Bíblia e Tradição, para viver o encontro com Jesus Cristo como caminho para a conversão, a comunhão e a solidariedade”.

Dom Víctor Hugo Palma Paúl

Vale a pena lutar em favor da vida

O arcebispo de Buenos Aires e primaz da Argentina, cardeal Jorge Mario Bergoglio, felicitou neste domingo aqueles que lutam pela vida, no santuário de São Raimundo Nonato, e os exortou a continuar defendendo-a mesmo que sejam acusados de “antiquados, retrógrados e beatos”, porque o prêmio é “ter uma criança nos braços, a ternura de Deus feita pessoa”.

“Vale a pena lutar pela vida! Não é perder o tempo! É lutar pelo melhor que Deus nos deu, é lutar por aqueles que Jesus disse que temos de imitar para entrar no Reino dos Céus, é lutar para ter a alma de criança, alma aberta. É clamar a Deus por todas essas crianças, exploradas, escravizadas, usadas”, sublinhou o purpurado.

O primaz argentino assegurou que “há muita gente que exclui as crianças e não as ama, porque incomodam”, mas disse que no santuário do bairro portenho de Vila Luro se continua lutando pelas crianças no ventre materno e acompanhando os “pais que querem ter um filho, mas não conseguem”.

O cardeal Bergoglio insistiu em denunciar situações de escravidão, sobretudo quando “as crianças são obrigadas a trabalhar recolhendo papelão na rua e são exploradas pela máfia desse campo, que são usadas pelas gangues, caem no tráfico da prostituição e são objeto de abusos ou vendidas para transplante”.

O purpurado reconheceu, neste sentido, que “se a pessoa se manifesta, chamam-na de antiquada”, por isso destacou que há 15 anos, no santuário de São Raimundo Nonato se está “gritando por esta causa”.

Ao término da missa principal, que teve como lema “Gratidão e alegria por estes anos sendo mensageiros da vida”, o cardeal Bergoglio abençoou quem levou as imagens de São Raimundo Nonato de casa em casa.
O templo recebeu uma multidão de fiéis, em especial mulheres grávidas ou casais com intenções de ter um filho, que foram abençoados pelo pároco.

Pílula do dia seguinte: prejudicial e pouco eficaz

O Dr. Renzo Puccetti analisa um estudo apresentado ao congresso nacional de ginecologistas.

O Santo Padre, afirmando a postura da Igreja sobre o bem constituído pelo amor esponsal, um bem que é preciso promover protegendo-o da cultura contraceptiva tão presente no processo de redução do mesmo à simples satisfação, tinha estimulado a pesquisa no campo dos métodos naturais de controle da fertilidade, respeitosos das autênticas dimensões constitutivas da união esponsal: a unitiva e a procriativa.

Os líderes da Sociedade Italiana de Ginecologia e Obstetrícia (SIGO), reunidos em Turim para seu congresso nacional, responderam indiretamente ao Papa, sustentando que existe a possibilidade de recorrer aos métodos naturais, mas que os métodos anticoncepcionais são muito mais eficazes.

Para aprofundar no tema, Zenit entrevistou o Dr. Renzo Puccetti, membro do grupo de trabalho da European Medical Association, autor do livro «L’uomo indesiderato. Dalla pillola di Pincus alla Ru 486», que, junto a outros especialistas, apresentou ao congresso ginecológico de Turim um estudo sobre a pílula do dia seguinte.

Quais são os principais resultados do seu estudo?
Puccetti: Nós realizamos um modelo interpretativo capaz de explicar o que sabemos há bastante tempo, ou seja, que os resultados esperados da difusão da conhecida «pílula do dia seguinte» fracassaram em conjunto na hora de reduzir, no âmbito populacional, as gravidezes não-desejadas e os abortos. Mostramos, através de análises quantitativas, que, querendo negar o possível impedimento da implantação do embrião que este medicamento leva a cabo, deve-se admitir uma eficácia real significativamente inferior à que comumente se acredita.
Segundo os nossos cálculos, além disso, a dilação na hora de tomar o fármaco tem em conjunto um impacto muito escasso; numerosos estudos não evidenciaram correlação entre eficácia e assunção. A suposta urgência prescritiva é, portanto, na prática, uma instância fundada em dados de escassa relevância. Não cabe esperar nenhum incremento significativo de eficácia da venda do fármaco como produto livre, como tampouco se demonstrou melhora alguma na distribuição às mulheres para ser usado em caso de emergência.

A associação dos ginecologistas italianos pôs em andamento, há alguns meses, uma campanha de sensibilização no uso dos anticoncepcionais, dirigida em particular aos jovens, afirmando que esta é a melhor maneira de prevenir as gravidezes não-desejadas e o aborto. Você concorda com isso?
Puccetti: Felizmente, nem todos os ginecologistas pensam assim. Contudo, é verdade que se trata do reflexo de uma postura difundida que pode ser resumida no slogan «mais contracepção, menos abortos». Os fatos demonstram que se trata de um slogan falso. Mais de 40 anos após a introdução da pílula anticoncepcional, o número de abortos cresceu de forma espetacular, freqüentemente em maior medida precisamente nos países onde a cultura contraceptiva está mais difundida. Está a ponto de ser publicado um estudo nosso no qual, com números, mostra-se de forma muito sólida o fracasso da estratégia contraceptiva. Trata-se de uma realidade da qual, ainda que timidamente, também no mundo científico se está tomando consciência, como demonstra a crescente aparição de estudos que o apóiam. A afirmação de que é necessário recorrer à contracepção para reduzir as gravidezes não-desejadas e os abortos reflete no mínimo um escasso conhecimento dos dados da literatura médica, ainda que é possível que seja uma expressão de certo obscurantismo ideológico.

Por que você acha que existem estas resistências?
Puccetti: Não quero pensar em interesses de tipo econômico. Acho que se trata fundamentalmente de um grave erro conceitual.

Qual?
Puccetti: O de reduzir o ser humano à sua dimensão biológica, aceitando assim a idéia de que a sexualidade humana se identifica unicamente com a dimensão genital. Esta postura alimentou uma fracassada campanha tecnológica dirigida a garantir a possibilidade de um sexo livre, esquecendo que a liberdade é verdadeira quando desenvolve sua dimensão de responsabilidade.

Por que fracassada?
Puccetti: Porque são as pessoas, primeiramente as mulheres, que se rebelam contra esta perspectiva. Elas já provaram tudo; a busca de produtos teoricamente mais tolerados, mais fáceis de tomar e administrar não surtiu nenhum efeito. As mulheres se resistem a submeter-se por muito tempo à ditadura farmacológica tendente a atrofiar sua potencial fertilidade. Há muitos estudos atuais que confirmam isso. Depois de apenas 3 meses, quase a metade das mulheres não renova a prescrição contraceptiva; em um ano, a porcentagem diminui 15%. As formulações hormonais teoricamente melhor toleradas não têm efeito.
Verifica-se uma grande porcentagem de abortos em mulheres que durante o mês da concepção estavam utilizando anticoncepcionais. Quando a contracepção é suspendida ou o método anticoncepcional é trocado, as pessoas não mudam seus hábitos sexuais, plasmadas no comportamento contraceptivo assumido antes. Estes são alguns dos fatores que contribuem para tornar inapropriada a opção de regular a natureza.

Para concluir, o que você sugere?
Puccetti: É preciso deixar de proceder de forma ideológica; deve haver uma abertura à realidade: compreendê-la, não se deixar tentar por atalhos que só trazem problemas; passar, como diz o professor Noia, «da informação ao conhecimento».
O Nobel de Medicina, Alexis Carrel, afirmou certa vez que «muito raciocínio e pouca observação conduzem ao erro; pouco raciocínio e muita observação levam, no entanto, à verdade». Imagine qual seria o resultado quando se observa pouco e se raciocina mal.

Antonio Gaspari

Novas tecnologias, novas relações

 “Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”: este é o tema escolhido por Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais de 2009.

“Mais que um simples tema, acho que o Papa nos coloca diante de um autêntico programa de trabalho”, reconheceu o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

O tema foi anunciado pelo conselho vaticano nesta segunda-feira, 29 de setembro, festa dos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. A mensagem que o Papa escreverá sobre o tema por ocasião da jornada mundial deverá ser publicada em 24 de janeiro, memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

O tema escolhido pelo Papa, segundo Dom Celli, é “um compêndio dos compromissos e das responsabilidades que a comunicação e os homens da comunicação estão chamados a assumir em primeira pessoa, numa época tão fortemente caracterizada pelo desenvolvimento das novas tecnologias que, de fato, criam um novo ambiente, uma nova cultura”.

“De certa forma – continua dizendo o presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais –, poderíamos dizer que o Papa pede hoje aos agentes da comunicação o que pediu durante o encontro com o mundo da cultura em Paris, ou seja, assumir uma atitude verdadeiramente filosófica: enxergar além das coisas ‘penúltimas’ e lançar-se à busca das últimas, as verdadeiras.”

“É evidente a confiança do Papa diante das possibilidades dos meios de comunicação”, acrescenta Dom Celli, que considera que “a mídia pode ser de grande ajuda para favorecer um clima de diálogo e de confiança”.

“Sublinhar o fato de que às novas tecnologias devem corresponder novas relações significa tocar profundamente a relação sobre a qual a comunicação vive e se desenvolve: o avanço dos instrumentos não significa um passo adiante, mas sempre cria novas condições e possibilidades para que o homem utilize e invista estes recursos para o bem comum e o coloque bases para um crescimento cultural amplo e difundido.”

Dom Celli acrescenta que “se considerarmos que quem trabalha nos meios de comunicação é antes de tudo um agente cultural, então virão imediatamente à mente as palavras que o Papa pronunciou ao concluir seu discurso aos intelectuais: ‘uma cultura meramente positivista, que limitasse ao campo subjetivo como não-científica a pergunta sobre Deus, seria a capitulação da razão, a renúncia a suas possibilidades mais elevadas e, conseqüentemente, uma ruína do humanismo, cujas conseqüências não poderiam ser mais graves’”.

Para responder ao convite de Bento XVI, Dom Celli faz um anúncio como presidente do Conselho do Papa para as Comunicações Sociais: “Em março do próximo ano programamos um encontro dos bispos responsáveis pela comunicação em um seminário organizado em colaboração com os professores universitários especialistas em mídia para formular uma pastoral dos meios de comunicação mais precisa e moderna”.

A Jornada Mundial das Comunicações Sociais é a única celebração mundial convocada pelo Concílio Vaticano II (Inter mirifica, 1963) e se celebra em quase todos os países do mundo no domingo precedente a Pentecostes.

Homilias preocupam Sínodo

A qualidade das homilias na missa é em certas ocasiões tão preocupante que provoca o abandono de fiéis da Igreja, constatou-se no Sínodo dos Bispos.

O relator geral, cardeal Marc Ouellet, começava o debate nesta segunda-feira constatando que “apesar da renovação de que a homilia foi objeto no Concílio, sentimos ainda a insatisfação de numerosos fiéis com relação ao ministério da pregação”.

“Esta insatisfação explica em parte a partida de muitos católicos para outros grupos religiosos”, denunciou.

Dom Mark Benedict Coleridge, arcebispo de Camberra-Goulburn (Austrália), propôs em sua intervenção que se preparasse um Diretório Geral Homilético, como existe um Diretório Geral de Catequese.

Este diretório, disse, deveria levar em conta a história da pregação católica, adaptando-a à realidade atual.

“Deveria recolher a experiência e a sabedoria da Igreja universal, incluindo os novos movimentos e comunidades, sem asfixiar o talento das igrejas locais ou dos pregadores individuais.”

Por sua parte, o cardeal Philippe Barbarin, Arcebispo de Lyon (França), constatou que um dos problemas da pregação é que não se diz tudo. “Deve-se dizer tudo!”

O purpurado denunciou preconceitos que levam a não pregarem certas passagens da Bíblia, por exemplo, quando Jesus repreende os escribas e fariseus, sendo que poderiam servir como um ensinamento em sentido contrário das bem-aventuranças.

Dom Raymond Saint-Gelais, bispo de Nicolet (Canadá) explicou que “nas celebrações litúrgicas, a homilia deve introduzir a assembléia no mistério da Palavra que Deus lhe dirige em sua vida concreta. Favorece deste modo a relação entre Palavra de Deus e a cultura, entre a fé e a vida”.

Dom Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao (Espanha), dedicou sua intervenção totalmente à homilia, falando dela como “um dos serviços mais importantes que o bispo e o presbítero podem prestar”.

O prelado propôs que a homilia seja preparada na oração, fazendo-se ao menos três perguntas: “O que dizem as leituras que serão proclamadas na celebração? O que me dizem pessoalmente? O que devo eu, como pastor que presidirei a celebração, comunicar aos participantes na Eucaristia, levando em conta as circunstâncias em que se desenvolve a vida da comunidade?”.

Dom Gerald Frederick Kicanas, bispo de Tucson, vice-presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, propôs que após o ano de São Paulo se proponha um ano da pregação na assembléia eucarística.

Este ano seria uma oportunidade “para sacerdotes e diáconos, junto a seus bispos, para encontrar-se com os leigos e compreender melhor suas dificuldades e como deveriam pregar a Palavra de uma maneira relacionada a estas dificuldades”.

Por que Adorar-te?

Desde o ano de 2006 o Senhor nos chamou a uma missão que muito alegrou o coração de todos da comunidade: realizar um evento de Louvor e Adoração onde todos poderiam ter a oportunidade de, como Igreja, juntos, adorar ao único e verdadeiro Deus, JESUS CRISTO SACRAMENTADO.

 

No ano de 2007 tivemos a primeira oportunidade de vivenciar este momento junto a outros irmãos que conosco vieram participar deste momento de amor e glória de Deus. O Tema foi “Quero habitar em Tua presença” e as pregações foram ministradas por Pe. Jorge Hermes e Pe. Fabrício (Nova Jerusalém).

 

Foram três dias de verdadeira experiência com Jesus Sacramentado, os irmãos toqueiros (Toca de Assis) nos ajudaram e muitos irmãos de outras comunidades, como Face de Cristo, Shalom, grupo Águias da Paz, paróquia de Cristo Rei, participaram.

 

Foram ministradas orações de curas, adorações e houve celebração da Santa Missa nos três dias de evento.

 

No final do Adorar-Te 2007 muitos irmãos vieram partilhar conosco das maravilhas que Deus operou em suas vidas e suas famílias graças aos momentos de adoração e oração vividos ali.

 

O Adorar-te 2008 está chegando e você é nosso convidado para este grande momento de culto, de adoração a Jesus Eucarístico. Em breve traremos outras novidades sobre o Adorar-te 2008.

 

 

Andréa Ponte